Uma carta pra ele...

Letter

Eu sempre gostei do seu sorriso. Confesso, foi uma das primeiras coisas que eu notei, além da sua sua forma um tanto grosseira de conversar com pessoas desconhecidas. Sua imagem com aquele boné azul escuro e sem o uniforme da escola nunca saiu da minha cabeça. Faz mais de um ano que a gente se conheceu e até hoje me lembro da primeira conversa: "Cadê o uniforme cara?"

Eu estava num momento complicado da minha vida lembra? Bom, talvez eu é que estava fazendo dele um momento complicado, mas deixemos isso de lado por agora. Você me deu apoio, compreendeu pelo que eu estava passando e deixou tudo às claras. Até que...sem nem  a gente perceber ou querer, tudo aconteceu.
Numa conversa por telefone, manhã de domingo, eu na janela do meu quarto e vocês sabe lá onde, vimos o nascer do sol juntos, mesmo cansados. Incrível como a nossa vontade de ouvir a voz um do outro era ainda maior que o nosso sono. E nós achando que tudo não passava de uma profunda amizade.

Ficamos confusos e eu demorei pra entender o que estava rolando. Aqueles olhos escuros e com olheiras, talvez você tivesse passado a noite em claro, pele morena, uma pintinha perto do lábio e aquele sorriso de matar tinham mesmo me encantado.
Naquele dia você estava com aquela sua jeans manchada como de costume, com uma camiseta meio beje que nunca mais usou depois, e eu com uma simples camiseta branca e short balone verde que você insiste em dizer que era saia. Ficamos no lago até entender o que estava acontecendo, porque até então nem nós mesmo sabíamos ou tínhamos certeza.

"Posso te beijar?", foi tão engraçado esse momento. Nem no meu primeiro beijo o garoto deve ter pensado em perguntar isso, provavelmente você estava com medo de eu ficar brava (ou não) com um beijo surpresa. Achei isso fofo, mas saiba que só não dei aquela risadinha pra não te constranger, até porque eu também queria aquele beijo.
Há quem nos julgue mal e queira acabar com a nossa história. Mas as únicas pessoas que tem o direito de se intrometer é ninguém mais do que nós mesmos não é?

Não sou dessas que lembram de TUDO TUDO nos mínimos detalhes e nem aquelas que repetem a palavra na mesma frase como acabei de fazer agora. Mas pra você e por você vale tudo. Desde esperar por mais de cinco meses do outro lado do mundo até pagar promessas subindo a escadaria da Penha.
Românica? Sim, sou mesmo e dai? Também sempre quis que você fosse. Eu ia amar que você me escrevesse cartas, desse flores, me abraçasse mais apertado e desse muitos beijos prolongados. Enfim, fosse ridículo, como eu e qualquer ser humano romântico e apaixonado. Mas sei que tudo o que fez por mim foi muito mais do que isso. Nada de alianças pra etiquetar nosso compromisso, nem promessas feitas por palavras ao vento. O que você fez, podem sim ter sido pequenas coisas, porém muito marcantes pra mim, pra nós, e é isso o que importa.

Talvez você também quisesse ter tido mais tempo do que tivemos juntos, mãaaaaas nem tudo são flores. A vida é feita de escolhas e você fez a sua. Não devemos nos rebelar com isso, afinal ninguém tem culpa no cartório. Em todo e qualquer lugar, sempre há uma história à terminar pra que outra possa começar. É assim que se faz o amor, é assim que se faz a vida. E como diz a Hazel, alguns infinitos são maiores que outras.

Eu me sinto totalmente privilegiada por ter sido amada por alguém como você e agradeço muito pelo nosso pequeno infinito. Se chegou ao fim? Isso só o tempo irá responder.
Não basta voltar e fingir que nada aconteceu. O tempo voa e muitas coisas fora do roteiro simplesmente acontecem. Assim mesmo, sem mais nem menos. Talvez você se interesse por outra pessoa hoje... quem sabe semana que vem. O destino é traiçoeiro, arma cada arapuca e nós simplesmente caímos como peixes na rede. Mas, aquilo que menos esperamos que aconteça um dia, nos faz feliz e por um momento ficamos agradecido pelo tão traiçoeiro destino.

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